quinta-feira, 14 de agosto de 2008

PERMANECER

Há pessoas a quem tudo parece correr bem, e corre mesmo. São pessoas que têm a vida facilitada ou que sabem facilitar a vida. Fazem-nos acreditar que é possível e isso é bom mas às vezes tenho a sensação que vidas assim é só para alguns...
Fascino-me com exemplos de pessoas que têm vida vulgares, às vezes até vidas difíceis mas que permanecem e não desistem.
Não deixa de ser um Mistério mas continuo a reparar que é na dificuldade que crescemos. É na dificuldade, naquilo que não controlamos, no que nos custa, que nos descobrimos, a nós e aos outros, que desvendamos quem somos e podemos decidir-nos por aquilo que queremos ser.
E dá uma satisfação imensa quando no meio da tempestade nos mantemos firmes, seguramos o leme e continuamos caminho quando a vontade é fugir de novo para a margem.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

SISTEMA DIGESTIVO

Mais cedo ou mais tarde, por opção ou obrigados mas, em alguma altura, vamos ter que passar para o lugar do condutor, algum dia vamos ter que nos tornar titulares da nossa própria vida.
Vamos tomando decisões, abrindo caminho. Tiramos um curso, ou não, começamos a trabalhar, ganhamos independência económica...mas não é (só) isto que significa sermos donos da nossa vida.

É preciso acertar velocidades e evoluir por dentro à medida que se evolui por fora. É preciso perceber que mochila trazemos e o que trazemos na mochila. Saber o que temos, saber o que somos, saber o que podemos e o que queremos. É preciso saber quem é o "Eu", para além de sentimentos, pensamentos e apetites. É preciso que saibamos quem é que toma conta de tudo isto, quem é o titular deste ser que sou Eu.

E é preciso digerir. Parar e olhar para dentro. Conhecermo-nos e aceitarmo-nos. É preciso ir digerindo isto tudo. Porque somos seres dinâmicos, sempre a mudar, é bom que nunca nos instalemos na nossa própria imagem e nos habituemos a ir acompanhando as mudanças que vamos sofrendo mesmo sem darmos por isso.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

PARA SEMPRE

Para Sempre é muito tempo! O nosso ponto de vista não consegue imaginar nada que, elevado à eternidade, não se torne aborrecido e monótono. Talvez por isso se fale cada vez menos do "emprego para a vida" ou da "casa para a vida".
A fuga à rotina e à "normalidade" reflecte-se também, consequentemente, na fuga às decisões a longo prazo. Pode até ser bom não nos apegarmos demasiado às coisas e encará-las como efémeras que são mas na medida em que a nossa vida também é, ela mesma, finita.

É normal que nos seja difícil imaginar as maravilhas do céu ou os horrores do inferno porque não alcançamos verdadeiramente o que seja "eternamente"...talvez seja mesmo mais fácil acreditar que a vida é só isto que temos agora. De qualquer maneira não podemos desdenhar o "para sempre" da nossa vida terrena e os compromissos que nela assumimos.

COMPROMISSOS

Podem ser coisas pequenas, podem ser projectos grandes. podem ser connosco próprios ou podem ser com outros. Há para todos os gostos. Podemo-nos comprometer a levantarmo-nos todos os dias mal o despertador toque, podemos nos comprometer a partilhar a vida com alguém. Podemos nos comprometer a escrever regularmente num blogue...
E podemos falhar.

Falhamos porque somos seres imperfeitos. Falhamos porque ainda estamos a caminho do que queremos ser. Falhamos porque somos fracos mas depois até podemos crescer com o reconhecimento das nossas fraquezas.

Uma pessoa que se conhece bem, que reconhece dons e talentos, falhas e defeitos, fracassa menos vezes. Não porque seja mais perfeita, mas porque traça caminhos e define metas de acordo com o que é a sua realidade pessoal.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

MENTE

Às vezes parece que o mundo é pequeno de mais. Parece que toda a terra e todo o mar não chegam para nos albergar.

Hoje pensei: " Em caso de claustrofobia, use a Mente"

É que a mente humana é inesgotável!

Fascino-me com a capacidade que temos de compreender, de ver sempre mais longe, de inventar, de criar, de destruir barreiras. De ultrapassar o possível e o visível e voar para mundos sempre diferentes.

São libertadores estes momentos em que se rasga o olhar e penetramos mais longe no Mistério que nos rodeia.Então entusiasmamo-nos e continuamos a percorrer estradas que se abrem a nossa frente, corremos já, animados pelas nossas capacidades que nos fazem pensar sermos capazes de tudo. Mais uma pergunta, mais uma resposta, e outra, e outra, e outra....e de repente travamos em cima do abismo e deparamo-nos com um fosso intransponível...

E lá nos lembramos que somos só "relativos" em relação ao Absoluto...

SONHOS


Resistimos, adiamos o momento, disfarçamos, tentamos desviar-nos, fechamos os olhos e não queremos ver mas...às vezes tem mesmo de ser.

Todos temos sonhos, todos fazemos projectos, todos imaginamos o futuro e custa quando somos obrigados a arquivar os textos sem nunca chegarmos a publicar o livro.

Mas é mesmo assim. A vida obriga-nos a seguir por outro caminho, a por de lado vontades e desejos para que tudo possa correr em função de um Bem Maior.

É preciso saber bem onde queremos chegar e não nos distraírmos demasiado a encher a mochila com muitas coisas que depois secalhar vamos ter de deixar pelo caminho.

Juan Muñoz

"A veces tengo la impresion de que mi obra
reciente es sobre la espera, esperando algo que
podria no ocurrir jamas, por outro lado,
temiendo que ocurra, incluso deseando que
nunca pueda ocurrir.
Es como mantener la obra en ese estado que llamariamos deseo."
É por aqui que me distraio enquanto "cozinho" trabalhos para fechar o semestre... a matutar nesta frase que me ficou, escrita por um escultor cuja obra conheci agora no Guggenheim de Bilbao...
Confesso que ainda estou para o perceber...