Tenho alguma dificuldade em lidar com mudanças. Seja de horário, de trabalho, de casa, mas principalmente tenho sérias dificuldades em lidar com as mudanças no Tempo.
Quer dizer, as mudanças são sempre no Tempo, aliás as mudanças são inevitáveis porque não controlamos o Tempo. Não controlamos o tempo cronológico nem o metereológico e controlamos pouco do tempo disposicional ( embora seja, apesar de tudo, este ultimo aquele que melhor podemos domar!)
Há depois uma clara diferença entre o passado e o futuro. É que o Futuro, talvez mais o espaço e menos o tempo, ainda podemos de alguma forma influenciar, é um misto entre o que nós fazemos dele e o que ele faz de nós mas de qualquer maneira podemos ter algum voto na matéria, o Passado, aqui mais o tempo, é o resultado daquilo que nós um dia fizemos pelo nosso futuro e quabdo passamos por lá, pelo espaço do passado, percebemos que o estamos a viver mais agora do que na altura porque antes, como agora, estávamos já mais no futuro do que no agora ( onde na verdade nunca se está porque nem sequer existe).
Enfim..vivemos aqui balançados entre as boas recordações de tempos que não queremos deixar para trás e as projecções inevitáveis que fazemos de um futuro que puxa por nós e para o qual não podemos deixar de ir, como se o Rio quizesse voltar à nascente ou aquela montanha do caminho onde correu tão feliz mas não tenha outro destino que não continuar o seu caminho desaguar no Mar.
Fica-nos a Esperança que o Mergulho final no Infinito se revele mais consulador do que qualquer passado e futuro, qualquer espaço e tempo.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
" Das coisas mais importantes que fiz na vida foi aprender a calar." Não é fácil mas dá-nos uma Liberdade enorme."
Ouvir isto dito por uma pessoa Grande e de percurso longo tem uma força inesperada.
Uma pessoa que construiu, que fez e que se fez, reconhecer assim a importância desta capacidade que desenvolveu, faz-nos pensar!
Fazer do " Libertador" o critério do "Importante" fez-me lembrar que o "Homem não é Livre mas nasceu para ser Livre" e a vida é o caminho da libertação onde vamos travando grandes e pequenas batalhas ( temporais, fisicas, emocionais) para um dia podermos morrer mais próximos daquele por quem e para quem fomos criados.
E aprender a calar é uma grande vitória, um grande passo para a Liberdade. Aprender a calar implica aprender a conhecer-se e a ter controle sobre si mas implica também a descentrar-se e a focar-se no outro. Perceber que não é preciso dizer tudo e reconhecer que construimos mais a ouvir do que a falar.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Lembranças...
Passas pelo mundo como quem sabe que não é daqui.
Esqueces-te de ti e fazes-te instrumento.
Deixas que te toquem, não como quem quer sentir mas como quem quer dar.
Deixas-te estar mas não esperas que ninguém venha. Sabes bem porque é que estás aqui.
E Ele passa e mostra-Se e faz de ti o que tu queres. Não porque tu possas alguma coisa mas porque sempre Lhe deixas o coração aberto para que a tua vontade seja a d'Ele.
Esqueces-te de ti e fazes-te instrumento.
Deixas que te toquem, não como quem quer sentir mas como quem quer dar.
Deixas-te estar mas não esperas que ninguém venha. Sabes bem porque é que estás aqui.
E Ele passa e mostra-Se e faz de ti o que tu queres. Não porque tu possas alguma coisa mas porque sempre Lhe deixas o coração aberto para que a tua vontade seja a d'Ele.
sábado, 22 de agosto de 2009
Há tempos onde apetece ficar...
É uma Graça imensa termos a possibilidade e a capacidade para "saír daqui" e ir viver em outro lugar. Desinstalarmo-nos, de lugares e modos de ser. É bom podermos afastarmo-nos de hábitos, regras, preconceitos. É bom quando tudo pode ser diferente.
Esta experiência só tem grandeza na medida em que é especial, tão especial que dura sempre pouco e só temos consciência disso quando voltamos ao que temos e somos e percebemos que, afinal, o que ganhámos foi simplesmente uma nova forma de ver as coisas de sempre.
É preciso voltar à vida que construímos dia-a-dia, à vida que está nas nossas mãos e que moldamos a cada instante mesmo sem darmos por isso. Não nos podemos desincumbir de viver a nossa vida todos os dias, não vale a pena querer prolongar lugares que brilham ,porque passam. O que permenace ganha pó, perde o brilho, gasta-se, às vezes estraga-se mas vale porque é nosso, porque tem a marca do nosso esforço, da nossa vontade, da nossa presistência.
As experiências especiais são-no por isso mesmo, porque duram pouco e não têm tempo de perder o encanto. Devemos por isso guardá-las na memória para que a sua luz ilumine o quotidiano tantas vezes já gasto.
Aproveitar o olhar renovado para compreender que a radicalidade não está nas grandes experiências mas nas pequenas mudanças que trazemos para a vida de todos os dias.
Esta experiência só tem grandeza na medida em que é especial, tão especial que dura sempre pouco e só temos consciência disso quando voltamos ao que temos e somos e percebemos que, afinal, o que ganhámos foi simplesmente uma nova forma de ver as coisas de sempre.
É preciso voltar à vida que construímos dia-a-dia, à vida que está nas nossas mãos e que moldamos a cada instante mesmo sem darmos por isso. Não nos podemos desincumbir de viver a nossa vida todos os dias, não vale a pena querer prolongar lugares que brilham ,porque passam. O que permenace ganha pó, perde o brilho, gasta-se, às vezes estraga-se mas vale porque é nosso, porque tem a marca do nosso esforço, da nossa vontade, da nossa presistência.
As experiências especiais são-no por isso mesmo, porque duram pouco e não têm tempo de perder o encanto. Devemos por isso guardá-las na memória para que a sua luz ilumine o quotidiano tantas vezes já gasto.
Aproveitar o olhar renovado para compreender que a radicalidade não está nas grandes experiências mas nas pequenas mudanças que trazemos para a vida de todos os dias.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Excerto de um texto de Sto Isaac ( séc. VII )
O intelecto está sempre à procura de meios que lhe permitam reter aquilo que adquiriu; mas a fé diz que, «se não for o Senhor a edificar a casa, em vão trabalham os construtores» (Sl 126, 1).
Aquele que reza na fé nunca vive apenas do conhecimento intelectual. Esse saber faz o elogio do temor. O sábio disse: «Feliz aquele que teme no seu coração». Mas o que diz a fé? Que, quando teve medo, Pedro começou a afundar-se. E ainda: «Vós não recebestes um espírito de escravidão, para cair de novo no temor; recebestes, pelo contrário, um espírito de adopção» (Rom 8, 15), que nos dá a liberdade da fé e da esperança em Deus.
A dúvida segue-se sempre ao medo [...]; o medo e a dúvida manifestam-se sempre na busca das causas e no exame dos factos, porque o intelecto nunca alcança a paz. A alma está muitas vezes sujeita aos imprevistos, às dificuldades, às numerosas armadilhas que a fazem perigar, mas nem o intelecto nem as diferentes formas de sabedoria podem ajudá-la. Pelo contrário, a fé nunca se deixa vencer por nenhuma destas dificuldades. [...] Vês a fraqueza do conhecimento e o poder da fé? [...] A fé diz: «Tudo é possível a quem crê» (Mc 9, 23), «pois a Deus tudo é possível» (10, 27). Ó riqueza inefável! Ó mar que nas suas vagas transporta semelhante riqueza, tesouros maravilhosos que dele transbordam pelo poder da fé!
Aquele que reza na fé nunca vive apenas do conhecimento intelectual. Esse saber faz o elogio do temor. O sábio disse: «Feliz aquele que teme no seu coração». Mas o que diz a fé? Que, quando teve medo, Pedro começou a afundar-se. E ainda: «Vós não recebestes um espírito de escravidão, para cair de novo no temor; recebestes, pelo contrário, um espírito de adopção» (Rom 8, 15), que nos dá a liberdade da fé e da esperança em Deus.
A dúvida segue-se sempre ao medo [...]; o medo e a dúvida manifestam-se sempre na busca das causas e no exame dos factos, porque o intelecto nunca alcança a paz. A alma está muitas vezes sujeita aos imprevistos, às dificuldades, às numerosas armadilhas que a fazem perigar, mas nem o intelecto nem as diferentes formas de sabedoria podem ajudá-la. Pelo contrário, a fé nunca se deixa vencer por nenhuma destas dificuldades. [...] Vês a fraqueza do conhecimento e o poder da fé? [...] A fé diz: «Tudo é possível a quem crê» (Mc 9, 23), «pois a Deus tudo é possível» (10, 27). Ó riqueza inefável! Ó mar que nas suas vagas transporta semelhante riqueza, tesouros maravilhosos que dele transbordam pelo poder da fé!
quarta-feira, 24 de junho de 2009
SEMPRE A APRENDER
Ontem estava a falar-te de um grupo que integro e descrevia-te em tom de desprezo a postura..."vazia"...de alguém.
Sorriste para mim e, pensativo, sem qualquer crítica, disseste: " O mundo é um sitio fascinante! Há pessoas para todos os gostos!"
Fiquei a pensar na pobreza do olhar " criticista" em que às vezes me instalo...
Sorriste para mim e, pensativo, sem qualquer crítica, disseste: " O mundo é um sitio fascinante! Há pessoas para todos os gostos!"
Fiquei a pensar na pobreza do olhar " criticista" em que às vezes me instalo...
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