terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Lembranças...

Passas pelo mundo como quem sabe que não é daqui.
Esqueces-te de ti e fazes-te instrumento.
Deixas que te toquem, não como quem quer sentir mas como quem quer dar.
Deixas-te estar mas não esperas que ninguém venha. Sabes bem porque é que estás aqui.

E Ele passa e mostra-Se e faz de ti o que tu queres. Não porque tu possas alguma coisa mas porque sempre Lhe deixas o coração aberto para que a tua vontade seja a d'Ele.

sábado, 22 de Agosto de 2009

Há tempos onde apetece ficar...

É uma Graça imensa termos a possibilidade e a capacidade para "saír daqui" e ir viver em outro lugar. Desinstalarmo-nos, de lugares e modos de ser. É bom podermos afastarmo-nos de hábitos, regras, preconceitos. É bom quando tudo pode ser diferente.
Esta experiência só tem grandeza na medida em que é especial, tão especial que dura sempre pouco e só temos consciência disso quando voltamos ao que temos e somos e percebemos que, afinal, o que ganhámos foi simplesmente uma nova forma de ver as coisas de sempre.
É preciso voltar à vida que construímos dia-a-dia, à vida que está nas nossas mãos e que moldamos a cada instante mesmo sem darmos por isso. Não nos podemos desincumbir de viver a nossa vida todos os dias, não vale a pena querer prolongar lugares que brilham ,porque passam. O que permenace ganha pó, perde o brilho, gasta-se, às vezes estraga-se mas vale porque é nosso, porque tem a marca do nosso esforço, da nossa vontade, da nossa presistência.
As experiências especiais são-no por isso mesmo, porque duram pouco e não têm tempo de perder o encanto. Devemos por isso guardá-las na memória para que a sua luz ilumine o quotidiano tantas vezes já gasto.
Aproveitar o olhar renovado para compreender que a radicalidade não está nas grandes experiências mas nas pequenas mudanças que trazemos para a vida de todos os dias.

quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Excerto de um texto de Sto Isaac ( séc. VII )

O intelecto está sempre à procura de meios que lhe permitam reter aquilo que adquiriu; mas a fé diz que, «se não for o Senhor a edificar a casa, em vão trabalham os construtores» (Sl 126, 1).

Aquele que reza na fé nunca vive apenas do conhecimento intelectual. Esse saber faz o elogio do temor. O sábio disse: «Feliz aquele que teme no seu coração». Mas o que diz a fé? Que, quando teve medo, Pedro começou a afundar-se. E ainda: «Vós não recebestes um espírito de escravidão, para cair de novo no temor; recebestes, pelo contrário, um espírito de adopção» (Rom 8, 15), que nos dá a liberdade da fé e da esperança em Deus.

A dúvida segue-se sempre ao medo [...]; o medo e a dúvida manifestam-se sempre na busca das causas e no exame dos factos, porque o intelecto nunca alcança a paz. A alma está muitas vezes sujeita aos imprevistos, às dificuldades, às numerosas armadilhas que a fazem perigar, mas nem o intelecto nem as diferentes formas de sabedoria podem ajudá-la. Pelo contrário, a fé nunca se deixa vencer por nenhuma destas dificuldades. [...] Vês a fraqueza do conhecimento e o poder da fé? [...] A fé diz: «Tudo é possível a quem crê» (Mc 9, 23), «pois a Deus tudo é possível» (10, 27). Ó riqueza inefável! Ó mar que nas suas vagas transporta semelhante riqueza, tesouros maravilhosos que dele transbordam pelo poder da fé!
" O segredo da Felicidade é uma Existência Agradecida."

Já não me lembro quem disse isto porque também ouvi já citado mas gostei muito!

quarta-feira, 24 de Junho de 2009

SEMPRE A APRENDER

Ontem estava a falar-te de um grupo que integro e descrevia-te em tom de desprezo a postura..."vazia"...de alguém.

Sorriste para mim e, pensativo, sem qualquer crítica, disseste: " O mundo é um sitio fascinante! Há pessoas para todos os gostos!"

Fiquei a pensar na pobreza do olhar " criticista" em que às vezes me instalo...

quinta-feira, 11 de Junho de 2009

FIM

Às vezes tenho medo da morte. Às vezes, nem sempre.
Costumava pensar que não tinha medo de morrer, tinha medo da forma como a morte chegaria. Hoje também não tenho medo de morrer. Quer dizer, como é que posso ter medo de uma coisa da qual não vou ter consciência? Não tenho medo nenhum de morrer, tenho medo da morte. Tenho medo da ausência, tenho medo de ter que viver a vida nos moldes que desconheço. Como é que vou viver quando se forem as pessoas que fazem com que a minha vida seja como é? Como é que vou continuar a ser eu quando a minha vida já for outra?
Bom, mas a alimentar estas duvidas é que não vivo mesmo. Nem esta vida nem outra.
Vamos morrer. Vivemos distraídos deste facto e por isso nos angustiamos quando pensamos nele. Não vale a pena estar sempre a pensar nisso é verdade, mas é bom vivermos com essa consciência. É bom construirmos a nossa identidade assentes na certeza de que nós e aqueles que nos rodeiam um dia não vamos cá estar. Podemos ser nós a partir primeiro ou podem ser eles mas a vida, que é como quem diz as relações, não duram sempre...ou, a presença, tal como estamos habituados a ela, não dura sempre.
Se pensarmos que um dia vamos ter de viver sem os nossos pais, sem o nosso marido/mulher, sem os nossos companheiros, sem os nossos filhos, torna-se quase absurdo mas se nos distraírmos disto andamos a fugir de uma verdade que nos é intrínseca.
Então, estava aqui a pensar, e se a morte em vez de nos assustar nos fizesse viver melhor? Quer dizer, se vivessemos com esta consciência de que um dia, ou nós o outro já cá não vamos estar e que não sabemos quando é esse dia, secalhar isso ajudava-nos a ser mais verdadeiros em cada gesto, em cada palavra.

quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Saudades

Hoje tenho saudades de tempos tranquilos em que as coisas são aquilo que parecem ser.
Hoje tenho saudades da normalidade. Saudades de sentimentos, de sons, de cheiros.
Saudades de ser criança e de rir porque estou alegre, chorar porque estou triste. De ser criança e de acreditar que o mundo é bom, ou nem saber o que é o mundo porque está tudo na rua que desco de bicicleta, muito rápido, entre gritos e gargalhadas. " Para lá do cruzamento não se pode ir." também não interessava, estava tudo ali. Naquela rua íngreme e estreita, de casas altas e janelas pequenas de onde pendem lençóis brancos a pingar água.
Mas um dia não parei no cruzamento...ou tomei consciência dele....acho que é isto mesmo, as coisas sempre foram assim e a vida não é mais do que um ir reparando...como se tivessemos ao sábado à tarde a passaear num museu que já conhecemos de cor. Há lugares assim, onde voltamos quando nos sentimos demasiado desconfortáveis, ou quando não sentimos nada. Como quando vamos outra vez ao museu no sábado à tarde. Não tinhamos mais para onde ir e vagueamos por ali a ver as mesmas coisas de sempre, ou a já não ver as mesmas coisas de sempre. De repente, sem saber porquê, vemos aquilo que sempre ali esteve pela primeira vez. Nunca tinhamos reparado naquelas cores tão bonitas.
Acho que a vida é assim...de repente e sem sabermos porquê...